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GATO SIAMÊS
(A elegante raça, que o povo brasileiro pensa que conhece)

                                                                                                        TEXTO: MARISA PAES (Miaurisa)

Casa do Gato by Miaurisa ®
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gato1        O gato siamês teve sua origem na Ásia, mais precisamente no Sião, na corte de um Rei. Vindos da atual Tailândia, sabe-se que em l880, o Rei do Sião deu de presente dois casais de siameses para o Sr. Owen Gould, que os levou para Londres. Em l890, o mesmo Rei, presenteou um americano com um dos seus siameses. Foi desta forma, que eles começaram a ser criados nos Estados Unidos e na Europa. Em l920, eles se tornaram moda e os criadores desta raça, para suprir a demanda, os acasalaram entre consangüíneos e devido a repetidos acasalamentos, houve o enfraquecimento da raça. Passaram então a serem bastante delicados quanto à saúde, chegando quase ao risco de extinção da raça. Por isso, os criadores por medo de perdê-los, foram severos na escolha dos pares para acasalamentos. Foi assim, que surgiu o siamês oficial, soberbo, elegante, com o corpo totalmente sem gordura. Sua característica mais marcante são as zonas de coloração mais escuras: orelhas, nariz, pernas, pés e cauda, contrastando com o restante do corpo, de pelagem mais clara, com olhos amendoados, na cor safira. Sua cabeça deve ser triangular, em forma de cunha, nariz comprido, orelhas grandes e pontudas. Os pés pequenos e ovalados, com pernas longas e finas. Os seus olhos são sempre de um azul profundo, brilhante e hipnotizador, embora levemente estrábicos. Diz a lenda que o estrabismo herdado ocorreu quando lhes foi confiado a guarda de um vaso de grande valor em um templo. Por serem tão fiéis à tarefa, olharam tão fixamente para o vaso que os seus olhos ficaram numa posição insólita. O verdadeiro siamês parece uma estatueta ou esfinge viva, muito diferente do siamês “bolinha”, que nós brasileiros conhecemos, de orelhas curtas e cauda pequena, em forma de gancho. Este siamês descrito, está longe do padrão oficial da raça e só recebe este nome popularmente, pelo fato das marcações serem idênticas ao siamês puro.  O povo brasileiro pensa que este tipo de gato é gato de raça e o chama de “Siamês”, no entanto, o verdadeiro gato siamês é bem diferente do gato que damos este nome no Brasil.
gato2        Nos Estados Unidos e Grã Bretanha o comércio de siameses é cada vez maior e eles são muito populares, enquanto que no Brasil, a criação é quase que nula. Pouquíssimos criadores dedicam-se à raça e à sua expansão. Deixaram de criá-los por diversos motivos. Um deles bastante sério seria o preço. Não há como competir com a venda dos siameses sem pedigree. Eles são extremamente baratos, enquanto que um filhote da raça oficial tem o seu valor real, pois não é fácil criá-los, nem  arranjar parceiros que não sejam parentes entre si. Sendo assim, criadores foram desestimulados do prosseguimento deste trabalho e hoje, é muito raro ver no Brasil um casal de siameses legítimos com sua ninhada. Outro fator bastante impróprio para o prosseguimento da raça é o seu temperamento e principalmente o seu miado. Os criadores, numa forma eufemística, costumam chamá-lo de “expressivo”. O fato é  que ele mia para tudo. Comunica-se o tempo todo, através de sons, exibindo diversos miados diferentes, conforme as circunstâncias. Quando estão em período de cio emitem um miado parecido com o choro de uma criança recém-nascida. É maravilhoso ter um animal que se comunica, mas nem sempre o nosso vizinho, ou nós mesmos entendemos este linguajar em horário impróprio. Acordar à noite  com sua “canção de amor”, quando está no cio, nem sempre é satisfatório. Talvez este seja um motivo em destaque para que houvesse a desistência da criação, infelizmente, porque vivemos em cidades grandes, com pouco espaço e pouco tempo. Os siameses precisam de bastante espaço, pois são elétricos, correm de um lado para o outro e são muito alegres e inteligentes. Dotados de uma rara sensibilidade, são capazes de morrer de ciúme e saudades de seu dono. Possuem um temperamento forte, detestam serem contrariados e se isto ocorre, facilmente mostram suas garras a quem os desafiam. O siamês é ainda uma das únicas raças que aceita coleira e quando condicionado desde filhote, aceita passeios na rua com seu dono, seguindo-o como um cão. Normalmente ele escolhe alguém da família para amar e despreza os demais membros da família. É egoísta e dificilmente aceita a presença de outros animais na casa, a não ser que tenham o mesmo tempo de "casa" que ele.
        Quanto à sua alimentação, deve ser balanceada, de preferência rações apropriadas à raça e em poucas quantidades, para que se mantenha sempre elegante. Um siamês de Exposição não deve ter barriga alguma, este quesito seria desclassificatório. No entanto, um suplemento vitamínico é importante a fim de se evitar o raquitismo.
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        A fêmea atinge a puberdade antes das outras raças, aos 5 ou 6 meses e é comum uma ninhada numerosa, porém, como possuem uma saúde bastante frágil, qualquer golpe de vento os resfriam e pode deixar de vingar a ninhada. Para tanto, exigem donos que os amem de verdade, conhecendo seus prós e contras e que se dediquem à sobrevivência de tão bela raça, pois é considerado “o príncipe dos gatos”.
As variedades clássicas de cores dos siameses são quatro: seal point, blue point, chocolate point e lilac point. A cor seal point (marrom-foca) foi e ainda é a mais difundida da raça. Nos Estados Unidos foram produzidas novas variedades, chamadas “Pêlo Curto Colourpoint”, cruzando siameses com outras raças, a fim de se obter cores variadas. Depois voltaram a acasalar siamês com siamês, em gerações subseqüentes, para que o sangue do siamês voltasse a ser o dominante.
   
     O siamês é bastante extrovertido e adora companhia. Ter um dono companheiro que o compreenda e que lhe dê o carinho e a atenção que merece somente fará com que esta ligação “humano-animal” seja por demais saudável e prazerosa. Sem contar poder vislumbrar  sua beleza e desfrutar de toda a inteligência de que é possuidor, pois um siamês abre portas, janelas, armários e é realmente um hóspede ou parceiro, que sabe o que quer e não mede esforços para alcançar o seu objetivo. Quem tem um siamês sabe o quanto a sua presença é marcante, às vezes até bem mais do que a presença humana e tê-lo por perto significa gostar e respeitar a sua personalidade intrigante.


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