email home
 
 

 

Para sempre no meu coração 

 MiaurisaRambo

Meu nome é Rambo e há muito tempo que eu vivo com ela. Cada dia de minha existência é adicionado um pouco mais do muito que eu a amo. Sei que na maioria dos relacionamentos humanos, dá-se o inverso. O tempo de convivência traz a rotina e esta inibe o amor. No meu caso, a situação é realmente contrária. A cada dia, instante, minutos e segundos, meu sentimento por ela torna-se mais pleno e convicto. Acho mesmo que meu pobre coração possa não resistir à intensidade de tanto amor, mas o que me importa mesmo é sempre tê-la junto de mim. Sei que não saberia viver sem sua presença. Trata-se, com certeza, de um amor egoísta. Tenho noção disto, porém não sei amá-la de outra forma. Quero estar perto dela a todo instante, porém isto não é possível. Ela trabalha fora e eu fico esperando-a diariamente, para exigir o muito que quero do seu carinho. Às vezes, ela se atrasa e minha angústia me arruina. Ando o corredor de minha casa, de um lado para outro e o tempo não caminha pra trazê-la de volta. No entanto, embora tarde, ela sempre retorna para alegria de meus olhos cansados de esperar. Apóio meus pezinhos no encosto do sofá, coloco meu nariz no vidro da janela e fico pensando onde ela estará, com quem, o que estará fazendo e meus pensamentos divagam à procura de uma imagem que a traga de volta para mim. Ela não sabe, mas eu sou o seu dono. Ela pensa o contrário, mas deixe que assim ela pense. Os humanos adoram pensar que somos posse deles. Nós, felinos, não discutimos, apenas impomos a nossa autoridade. No entanto, embora haja sofrimento nesta espera, existe também uma alegria na chegada. Acho mesmo que minha vida resume-se nesta busca diária. Vejo-a entrar e meu coração bate num compasso alterado, querendo fugir-me do peito. Ela diz meu nome, chamando-me repleta de saudade e eu venho ao seu encontro, ao ouvir sua doce voz. Ela me acaricia, me pega no colo e me enche de beijos. Faço um pouco de manha, roçando entre suas pernas e reclamando pela espera, mas seus carinhos são tão envolventes que eu vou cedendo, abrindo-me todo aos seus caprichos e carícias. Ela vai para ao toalete, cozinha, sala e outros cômodos da casa e eu a acompanho invariavelmente. Ao sentar-se no sofá, obviamente estou em seu colo e se o telefone toca, corro na frente para atender. Quero saber o que conversam, mesmo não tendo o mesmo tipo de linguagem verbal. Subo no seu colo e começo a ronronar e olho para ela firme em seus olhos e extraio telepaticamente todos os seus pensamentos. Por isso, que a conheço tão bem. Muitas vezes, sou pego pelo ciúme, que me assola, mas tento me controlar. A noite chega e ela se recolhe em seu quarto e eu a sigo. Subo na sua barriga e me ajeito, olhando-a até que ela adormeça.. Como sempre, ela vive exausta de tanto trabalho diário, e a passagem para o sono é rápida, então eu a observo e me perco em minha contemplação. Sem perceber, passo para o mágico universo dos sonhos e vejo neste outro mundo, numa nova dimensão, a minha dona não mais como uma humana, mas uma linda gatinha, como eu, de pêlos longos, na cor vermelha, com lindos olhos cobres, olhando fixamente para mim e me convidando para um passeio num lindo jardim super florido, onde cores e gatos mesclam-se na planície. O ar é calmo e refinado e aproveitamos juntos este momento para uma soneca na relva. A brisa toca nossos corpinhos e eu me sinto bem, afinal ela está comigo e é minha de verdade. Mas, num instante, sou despertado pelo barulho do despertador e minha dona salta da cama e eu junto com ela. É mais um dia que se inicia e eu de novo devo esperar o anoitecer para tê-la ao meu lado. Pensando bem, gosto desta vida de esperar, aproveito as tardes para dar uns cochilos e quanto mais penso nela, mais suspiro, mais ronrono e também mais encho minha barriga com minha deliciosa comida, que todos os dias ela põe para mim. Cheguei a conclusão que sou um gato apaixonado e muito ciumento. No começo isto me fazia mal, mas agora acho que este amor me dá forças para viver, para prosseguir nesta minha jornada.
    Hoje, eu tenho 17 anos e ainda continuo ao seu lado. Muita coisa na nossa vida mudou. Nós mudamos de casa e a nossa rotina é outra. Atualmente posso vê-la a toda hora, pois moro na Casa do Gato, junto com os filhotes. Ela ama incondicionalmente todos os gatos de sua criação, mas sei que eu sou o seu preferido. E tanto isto é verdade, que eu continuo firme, saudável e muito feliz. Sei que um dia irei embora, e ela também, mas esta é outra história a ser contada do lado de lá.”

Escrevi esta história do Amor do Rambo por mim, no ano de 1998, quando eu ainda tinha a companhia do meu gato predileto Rambo.

Ele ainda viveu mais 2 anos comigo, mas um dia, do nada, ela enfartou e amanheceu morto no Gatil, junto dos filhotes. Eu mesma o enterrei e fiz para ele a Prece de Passagem, que era bem mais simples que a Prece que hoje eu faço, mas o conteúdo é o mesmo: libertando a sua alma para prosseguir o seu caminho. Pedi a Deusa dos Gatos sobre a possibilidade do Rambo voltar para mim e como ele era bastante ciumento, saberia quem era ele, por causa do seu ciúme por mim.

Vendi uma gata ruiva, Chaymy, neta do Rambo, para um amigo meu, que a acasalou com um gato campeão bicolor, chamado Ícaro, e então este meu amigo me presenteou com um dos seus filhotes, que eu dei o nome de Rainbow. Ele era um gato bicolor ruivo e branco lindíssimo, fisicamente não se parecia com o Rambo, mas suas ações eram idênticas. Ciumento como o Rambo e seu olhar era o mesmo. Para mim, ele era a reencarnação do Rambo. Nasceu em fevereiro de 2001, um ano após a morte do querido Rambo e morreu em 2006, de infarto igual ao outro. Se eles são a mesma alma, eu acredito que sim, você pode dizer que não, o que importa é que eu os amei igualmente e os tenho para sempre no meu coração.

Rambo e Rainbow

Miaurisa da Casa do Gato


16669

 
 
etica